Sobre a efemeridade da vida da gente…


Se tem algo difícil de se pensar é em como nada do que vivemos pode ser dado como certeza, em um dia nos apaixonamos por algo, fazemos daquilo nossas vidas, e de repente o jogo muda, o sonho acaba, as circunstancias apresentam outro paradigma para se quebrar… e ele parece muito mais interessante que o anterior.

O grande dilema é: devemos viver intensamente antes que tudo acabe, ou devemos blindar-nos para que nada de `ruim`nos atinja. Uma sábia peixinha uma vez disse “mas se você não deixar nada acontecer com ele, nada vai acontecer com ele” o papo no desenho era sobre o Nemo, no nosso caso, é sobre as nossas vidas, sobre nossos corações, sobre nossos sonhos…arriscar, sair do lugar comum, pular de um lugar muito, muito alto sem saber se você vai morrer, ou se terá algo para amaciar a sua queda… é disso que estamos falando aqui..

Por mais de uma vez eu pulei, esse ano, talvez tenha sido meu pulo mais alto, mas há certas estabilidades que te enganam, que te prendem, na realidade, arrisco dizer que toda estabilidade traz consigo um par de algemas. Quantas pessoas vivem presas a algo que não gostam simplesmente porque é arriscado demais sair dali?

Eu gosto do risco, porque não dizer, do desconhecido, de botar a cara no mundo, de viajar na maionese, de pensar que o amanhã está distante, o ontem não volta mais e o presente está gritando te chamando para dar uma volta, experimentar tudo, vivenciar, sentir, gozar de cada segundo. Eu sei, é clichê, mas e daí? O amor é sempre clichê, e aqui estamos falando de algo maior, o amor a própria vida.

Se antes eu precisava de certezas, de guias, de palpites, hoje só preciso saber que eu devo escolher como será o meu dia, que está nas minhas mãos saber se o meu dia vai ser bom, ou se vai ser ruim, que problemas sempre vão surgir, e que nós podemos nos entristecer e achar que tudo está perdido, ou podemos buscar soluções, aprender, desmontar e montar várias vezes nossos quebra-cabeças, até que as peças finalmente se encaixem perfeitamente, seja lá como você defina essa perfeição.

Esse ano, quando abri mão de tudo que me dava certeza, ou que eu achava que dava, por coisas que só me deram até o momento frio na barriga e brilho no olhar, quando a minha nada sã vida me pegou pela mão e me chamou para sair da minha zona de conforto, fui chamada de louca, inconsequente… mas quando analisei a efemeridade da vida, o quão efêmeros são os momentos e até mesmo os sentimentos (tanto os ruins, quanto os bons) tudo ficou fácil, ficou leve, e todo mundo sabe, para alçar voo é preciso se livrar de pesos desnecessários, e pássaros que não podem sair de suas gaiolas, acreditam que voar é uma doença…
Publicado originalmente em Blog da Livy

Lívia Monteiro

Lívia Monteiro é publicitária, produtora de eventos, especialista em gestão cultural e em projetos. Representante Oficial do Fashion Revolution em BH. CoFounder e CMO do Cidadela. Fascinada por moda, cultura, cinema e literatura, vive com a cabeça na lua e precisa lembrar de manter os pés no chão...